Crédito Habitação · Regulação

Taxa de esforço máxima de 45%: as novas regras do crédito habitação

A taxa de esforço máxima no crédito habitação é agora de 45% (Recomendação BdP n.º 1/2026). O que muda e o que fazer se o seu processo está no limite.

Edifício residencial em Lisboa com sobreposição de documento financeiro e símbolo de percentagem
20 de maio de 20265 min de leituraÚltima atualização:

A Recomendação n.º 1/2026 do Banco de Portugal (BdP) já está em vigor: aplica-se aos contratos de crédito cuja avaliação de solvabilidade seja feita a partir de 1 de agosto de 2026. A taxa de esforço máxima (DSTI) passou de 50% para 45%, e aplica-se ao crédito habitação em geral, não apenas aos jovens com garantia pública do Estado.

O que é a taxa de esforço (DSTI) e porque é que importa?

A DSTI — Debt Service-to-Income — mede a percentagem do rendimento líquido mensal do agregado familiar que fica comprometida com o pagamento de todas as prestações de crédito. É um dos principais indicadores que os bancos usam para avaliar se um cliente tem capacidade para suportar um novo empréstimo.

  • Até 35% — perfil considerado confortável pelos bancos
  • Entre 35% e 45% — zona aceitável, com análise mais cuidada
  • Acima de 45% — fora do limite máximo definido pelo BdP

O que diz a Recomendação n.º 1/2026?

  • A taxa de esforço máxima é de 45% do rendimento líquido do agregado
  • Aplica-se aos contratos com avaliação de solvabilidade feita a partir de 1 de agosto de 2026
  • As exceções estão limitadas a 10% do montante de crédito concedido por cada banco, por semestre

Na prática, as exceções existem, mas são poucas e cada banco gere a sua própria quota. Não conte com elas para aprovar um processo que fica acima dos 45%.

Porque é que o BdP mudou a regra?

O gatilho foi a introdução da garantia pública a 100% para jovens no acesso ao crédito habitação. Esta medida eliminou a necessidade de entrada própria, levando os bancos a conceder crédito a clientes com taxas de esforço mais elevadas, uma vez que o risco de incumprimento ficava coberto pelo Estado.

O BdP não quis criar uma regra isolada apenas para os créditos com garantia do Estado e ajustou a Recomendação Macroprudencial de forma global, aplicando o novo limite a todos os novos processos de crédito habitação.

O que muda na prática para quem quer comprar casa?

  • Menor capacidade de compra para agregados com rendimentos mais ajustados
  • Muito menos margem para exceções
  • Mais importância do rendimento líquido comprovável e da estabilidade profissional
  • Processos «esticados» têm mais dificuldade de aprovação
  • Maior peso de soluções como titulares adicionais, consolidação prévia ou redução de encargos

O que fazer se o seu processo está no limite hoje

  • Calcule a sua taxa de esforço real, com todas as prestações em curso e a prestação simulada do novo crédito
  • Liquide ou reduza créditos pessoais, automóvel e cartões antes de submeter o processo
  • Aumente a entrada para baixar o montante financiado e, com ele, a prestação
  • Pondere um prazo mais longo, dentro do limite de maturidade permitido, para reduzir a prestação mensal
  • Junte um segundo titular com rendimento comprovável, se fizer sentido para o seu caso
  • Reúna todos os rendimentos que pode comprovar: subsídios, rendas e rendimentos no estrangeiro contam se estiverem bem documentados; as rendas de arrendamento de longa duração contam normalmente a 70%
  • Compare vários bancos: a forma de calcular o rendimento e a quota de exceções disponível varia de banco para banco

Com o limite nos 45%, a preparação do processo pesa mais do que nunca. Se a sua taxa de esforço está perto do limite, fale connosco: analisamos o seu caso sem custos e dizemos-lhe o que ajustar antes de submeter aos bancos.

Perguntas frequentes sobre a taxa de esforço a 45%

É a percentagem do rendimento líquido mensal do agregado familiar comprometida com o pagamento de todas as prestações de crédito (habitação, automóvel, cartões, etc.). Em Portugal é regulada pelo Banco de Portugal através da Recomendação Macroprudencial.

A Recomendação n.º 1/2026 do Banco de Portugal aplica-se aos contratos de crédito com avaliação de solvabilidade feita a partir de 1 de agosto de 2026. Desde essa data, a taxa de esforço máxima é de 45%.

Só a título excecional. As exceções estão limitadas a 10% do montante de crédito concedido por cada banco, por semestre, por isso são raras e não devem ser a base do seu plano.

Reduz a prestação máxima que o banco aceita face ao seu rendimento, o que se traduz num valor de financiamento mais baixo. Agregados com rendimentos mais ajustados ou com outros créditos são os mais afetados.

Some todas as prestações mensais de crédito (incluindo a prestação simulada do novo crédito habitação) e divida pelo rendimento líquido mensal do agregado. O resultado, em percentagem, é a sua DSTI.

Reduza ou liquide outros créditos, aumente a entrada, pondere um prazo mais longo ou um segundo titular, e compare vários bancos. Um intermediário de crédito ajuda a perceber que ajustes fazem diferença no seu caso.