Crédito Habitação · Regulação

Taxa de esforço baixa para 45% em 2026: o que muda

O Banco de Portugal vai reduzir a taxa de esforço máxima de 50% para 45% em 2026. O que muda na sua capacidade de comprar casa.

Edifício residencial em Lisboa com sobreposição de documento financeiro e símbolo de percentagem
20 May 20265 min de leitura

O Banco de Portugal (BdP) está a preparar uma alteração importante à sua Recomendação Macroprudencial que vai afetar diretamente quem pretende contrair crédito habitação em Portugal. Segundo informações que circulam na imprensa económica, a taxa de esforço máxima (DSTI) deverá ser reduzida de 50% para 45% — e aplica-se ao crédito habitação em geral, não apenas aos jovens com garantia pública do Estado.

O que é a taxa de esforço (DSTI) e porque é que importa?

A DSTI — Debt Service-to-Income — mede a percentagem do rendimento líquido mensal do agregado familiar que fica comprometida com o pagamento de todas as prestações de crédito. É um dos principais indicadores que os bancos usam para avaliar se um cliente tem capacidade para suportar um novo empréstimo.

  • Até 35% — perfil considerado confortável pelos bancos
  • Entre 35% e 50% — zona aceitável, com análise mais cuidada
  • Acima de 50% — atualmente fora do limite máximo definido pelo BdP

O que desencadeou esta mudança?

O gatilho foi a introdução da garantia pública a 100% para jovens no acesso ao crédito habitação. Esta medida eliminou a necessidade de entrada própria, levando os bancos a conceder crédito a clientes com taxas de esforço mais elevadas, uma vez que o risco de incumprimento ficava coberto pelo Estado.

O BdP não quis criar uma regra isolada apenas para os créditos com garantia do Estado. A intenção parece ser ajustar a Recomendação Macroprudencial de forma global, aplicando o novo limite a todos os novos processos de crédito habitação.

Quando entra em vigor a nova regra?

A imprensa económica avança que a medida deverá entrar em vigor «até ao início do verão» — muito provavelmente entre finais de maio e junho de 2026. O processo esperado segue várias etapas:

  • O BdP apresenta ou reformula a Recomendação Macroprudencial
  • Os bancos recebem orientação técnica interna
  • Cada banco ajusta os seus modelos de scoring e motores de aprovação
  • A nova DSTI máxima de 45% aplica-se a todos os novos processos

Atenção: os bancos costumam antecipar-se ao regulador. Algumas direções de risco podem começar já a cortar exceções, reduzir a elasticidade nas análises e endurecer os critérios mesmo antes da entrada formal da medida.

O que muda na prática para quem quer comprar casa?

  • Menor capacidade de compra para agregados com rendimentos mais ajustados
  • Redução da margem de exceção que os bancos podiam aplicar
  • Mais importância do rendimento líquido comprovável e da estabilidade profissional
  • Processos «esticados» terão mais dificuldade de aprovação
  • Maior peso de soluções como titulares adicionais, consolidação prévia ou redução de encargos

Processos já aprovados ficam protegidos?

Em geral, processos que já tenham aprovação formal ou FINE emitida tendem a ficar protegidos pelas regras anteriores. Contudo, processos que estejam apenas «em análise» quando a medida entrar em vigor podem ficar sujeitos ao novo enquadramento — dependendo da política interna de cada banco.

Existe uma janela de oportunidade?

Sim. Para clientes cujo processo seja mais sensível à taxa de esforço — os chamados casos borderline — o período de maio e junho de 2026 pode ser uma janela crítica. Submeter e formalizar o processo antes da entrada em vigor das novas regras pode ser determinante para a aprovação do financiamento.

É provável que se assista a uma corrida a aprovações antes da entrada em vigor, seguida de um abrandamento abrupto dos processos mais sensíveis à taxa de esforço. Se o seu processo está nesta zona, fale connosco antes que as regras mudem.

Perguntas frequentes sobre a taxa de esforço a 45%